EMENTA DE AMOR
Terça-feira, Março 2nd, 2010Olá! “Amor é fogo que arde sem se ver”, estou a ser original! A tristeza é água que molha sem se sentir e a rejeição é fome que passa com empadão de atum. A alegria é cerveja gelada num dia de verão, a paranóia são rebuçados de mentol em jejum e a traição é sopa de agriões quase azeda. E tudo arde, tudo arde sem se ver. Até o telhado do meu coração que neste momento está em chamas. Sim eu prometo que passo tudo o que tenho para teu nome amanhã, prometo que em perfeitas condições para venderes de seguida, mas antes disso podes chamar-me “bolinho de chocolate docinho”? Um abraço é chá branco, um banho bem quente é um gelado Magnum, o teu beijo é peixe cozinhado em azeite, alho e com coentros à mistura! Que sabor tão bom e o alho tem propriedades medicinais boas para o coração, dizem as minhas avós.
Já chamaram os bombeiros? O fogo alastrou-se pelas paredes de madeira do meu coração e está prestes a chegar ao quarto onde tu e eu passámos os momentos mais incríveis da nossa romântica história de amor, na minha imaginação, claro! A estupidez é cozer batatas juntamente com brócolos ou grelos, a inteligência é deslizar no teu corpo sedoso e o amor incondicional resume-se a bifes com molho de leite e muitas batatas fritas cortadas na hora e bem finas. O fogo, esse vil assaltante do meu coração queimou o nosso quarto e dirige-se para o sofá onde adormeces todas as noites e onde posso observar a tua beleza tão simples e sublime! Sublime, essa palavra que descobri há uns anos num livro bem lamechas que me fez acreditar em abóboras que se transformam em BMW, é tudo o que representas!
Batem-me à porta, querem apagar o fogo. Apagar é salmão fumado com tostas antes do jantar, acender é comida picante que me leva a ter fortes dores de barriga e gases. O fogo, esse vil comedor da minha pele, continua a arder sem que o consigam apagar, porque o sacana do bombeiro tem uns óculos com lentes de garrafão. Dirige-se para a cozinha queimando todas as baratas com asas do meu esturricado coração. Saudade é pão com manteiga, passado é vodka com morangos e o presente não passa de canja de galinha insípida. Insípida é a minha vida sem o teu toque, salgada é o sabor da tua pele quando me desejas como nunca desejaste ninguém. Desejo é vinho tinto, vómito é muito vinho tinto, “cardozo” é muito vinho tinto antes de fumares um charro na Jamaica! Muito, muito, mesmo muito é a vontade de te dar beijinhos e te chamar “minha pescada Tipo 4 com molho de limão e orégãos mais saborosa”!
Apagaram o fogo, conseguiram! A devastação é sopa de cenoura feita por mim, a esperança é Licor Beirão com muito gelo, a razão é salada de tomate com queijo mozzarella e a solidão é gelado de Tiramisu comido sozinho numa noite quente de Fevereiro, mas não deste ano porque está um frio daqueles. Relembrar é ver-te abraçada a mim com esse cheiro delicioso que só tu tens, esquecer é leite com bolachas de água e sal, lutar é sushi em vez de hamburgers! Mudar é o condimento que falta para te conquistar, desistir é pudim mandarim sem caramelo, chorar é ouvir-te às 6 da manhã a dizer que me queres ver nu a correr pelas ruas da Graça. Não resta nada no meu coração, só o sempre e esse sempre é adormecer ao teu lado e ouvir-te dizer “dorme bem bolinho, mas tira essas meias que já têm duas semanas”! Eu tiro, por amor.
Até Já
PaiBuda
