POR AMOR BATI COM O CARRO
Quinta-feira, Fevereiro 25th, 2010Olá! Hoje gostava tanto de te encontrar, precisava ver-te, mas não te vou dizer nada, vais-me dizer não, já sei. Passei pela praia e escrevo o teu nome na areia, faço um coração gigante à sua volta e rebolo imaginado que é o teu corpo. Levanto-me quando sinto que fui de encontro a um casal que fazia o amor de forma desgrenhada. Bolas, acho que toquei num testículo do senhor. Refaço-me da experiência quase gay, olho a lua que ilumina o meu rosto e imagino-te a dar-me carinhos, quem sabe dentro de um carro, com os vidros embaçados e o teu perfume a fazer-me comichão na língua depois de ter beijado o teu pescoço. Será pecado imaginar-te nua com esses enormes, mas bonitos seios. Bem a senhora que estava ali atrás também era bem boa, mas eu não sou galifão e prefiro imaginar-te a ti porque tu não tens pelinhos e ela não sei. Volto para o carro, a areia está a fazer-me comichão no meio dos dedos. De repente imagino os teus pés, lindos, com esse calo no teu dedo grande!
Ajeito o meu cabelo no retrovisor e buzino duas vezes a uma menina que passa por mim a correr, com aquelas calças apertadas que tu nunca usas para não se ver a celulite. Amo esses buraquinhos nas tuas coxas, roliças, onde gostava de roçar o meu bigode se o deixasse crescer. Já sabes, não tenho pêlos, mas posso sempre usar uma piaçaba. Fecho os olhos por momentos, imagino-te no banco de trás do meu carro a mudar de roupa como um dia fizeste. Lembras-te? Ias sair com aquele loiro de olhos azuis e pediste-me boleia. Sim, sabias que eu já te amava e senti que ali mostraste que também gostavas de mim, confiaste em mim para te transportar para o teu encontro. Nunca esquecerei aquele momento em que vi o teu sutiã pela primeira vez, nem do cheiro que ficou no carro quando deste um PUM porque levantaste demais a perna contra a barriga quando estavas a vestir as cuecas da tua avó que disfarçam a barriga. Desculpa meu amor, o meu carro é pequeno, não é um Audi como o outro tinha.
Há 30 segundos fechei os olhos, imaginei isto tudo e acabei de bater com o meu carro. Espetei-me na traseira de uma senhora que neste momento está a gritar comigo. Mais uma vez surges no meu pensamento, adoro quando gritas comigo e me dizes para te deixar em paz. Grita mais meu amor, grita quando te ligar daqui a 10 minutos e te acordar. Mas eu amo-te e o meu amor nunca vai desaparecer, aumenta de frequência sempre que me chamas nomes. Só não gosto que me chames pila mole, não gosto da palavra pila, é feia. Já te disse que uma menina que vai à missa e fica quatro horas no confessionário com aquele padre novo, não deve dizer pila. Podes dizer pénis mole, sardanisca flácida, bolha infectada, agora pila não, sim meu amor? Deixa-me só ir assinar os papeis da declaração amigável porque quero muito ir para casa, olhar para a tua foto e imaginar-te de fio dental. Suspiro, já me enganei na declaração, assinei pila mole, vês, dou muita atenção ao que me dizes.
Não resisti e estou a passar à tua porta. Perdi-me como sempre, não percebo nada das ruas de Chelas, mas aqui estou. São duas da manhã, mas não resisto, vou buzinar para chamar a tua atenção. Pára com isso amor, não mandes facas cá para baixo porque ainda me varas um olho e assim nunca mais te vejo bem. Olha antes para a lua, que nos ilumina, vês, repara no E.T. a acenar para nós, a abençoar o nosso amor. Porque vais chamar a polícia? Débora Paula pára com isso, já fui preso 10 vezes por tua causa, não tentes enclausurar o meu amor por ti, ninguém o pode prender. Sou todo teu amor da minha vida, mas vou-me embora antes que os bófias cheguem e descubram a pistola que trago comigo. Entrego-te o meu coração, ofereço-te as estrelas e despeço-me com um carinho especial que demonstra todo o amor que sinto por ti: Déborazinha queres ir comigo amanhã à loja do Chinês ali da esquina, queres? Desejo tanto oferecer-te aquelas cuecas encarnadas para a nossa primeira noite de amor. Quem é um amor, quem é? É o aqui o teu Zé Nando! Amo-te!
Até Já
PaiBuda
