A ARTE DE NÓS
Olá! Estendi-te a mão porque senti. Agarrei-a sem medo porque pensei perceber. Ali me mantive, junto de ti, até descobrir que não basta sentir ou pensar perceber. Se arte é amor, se o amor é arte de saber gostar, o gostar só pode ser amor que se transforma em arte quando sabemos verdadeiramente amar. Não sei, ainda não aprendi, preciso de me ensinar. Larguei-te a mão porque perdi. Afastei-a porque pensei desistir. Sento-me agora, neste banco de jardim, em sossego e longe de aflições. Fiz bem ou fiz mal, na dúvida nada fiz, segui o meu coração sem nada mais para tentar. Pinto a minha alma de um branco sereno, preciso respirar o que nunca respirei. Junto de ninguém, abraçado a mim, sentindo o meu calor sem precisar de um outro alguém. Mas estou só, neste banco de jardim, com vontade de sorrir porque o só não assusta, assusta o só ao lado de ti.
Segui os meus passos perdidos, perdi-me no saber de outras mentes e aqui estou. Feliz por tudo, infeliz por nada, alegre quando a vida beija a felicidade, com língua. Travei a emoção quando quis ir mais além, sussurrei ao ouvido da alma para a acalmar, sou eu, vem cá! Não me dês a mão, já não preciso dela. Não me dês a tua boca, preciso dela demais. Fica aí, não sigas a minha vontade, não serás feliz porque não sou quem precisas. Eu preciso de mim e de quem me queira ensinar. Se o amanhã chegar brilhante serei eu capaz de nunca o ofuscar, disseram-me há pouco tempo. Dizem-me tanta coisa, tantas outras digo eu, simplesmente porque exprimir é a forma mais fácil de nada fazer. Vem cá, senta-te ao meu colo e deixa-me embalar-te. Adormece no meu ombro, fá-lo teu. Carrego-te para o aconchego que tanto veneras, despeço-me com um acenar paralisado.
Diz-me agora o que sentes, escreve-me uma carta de amor, mesmo que em branco, desde que o faças com arte. Não existem palavras em mim, afundaram-se na certeza de um amanhã solarengo. Não vou, prefiro estar aqui passeando por entre um amor que não me conhece. Adeus, digo-o baixinho. Um dia voltarei mais forte e capaz. Hoje não o sou, incapaz de dizer e sentir, de vibrar e acordar para um sonho que tantas vezes esteve ao meu lado para me tornar mais vivo. Deixei tanta coisa para trás, mas o “frente” vem a caminho para pular loucamente junto de mim. Abraças-me agora antes de adormecer? Hoje só tenho esse desejo incontido, sem receios do depois, do ontem, querendo apenas o agora, sem o amanhã a acenar. Vem cá, aproxima-te e ensina-me que posso ser eu no teu, que podes ser minha no meu coração. Fecho os olhos e sinto que me dás a mão, neste momento, num só, tu e eu!
Até já
PaiBuda
Damien Rice – The Blowers Daughter
Tags: Arte

Fevereiro 11th, 2010 at 10:55 am
ADOREI UMA VEZ MAIS!!!! OBRIGADA E CONTINUA!!!!
Fevereiro 11th, 2010 at 2:38 pm
“Hoje só tenho esse desejo incontido, sem receios do depois, do ontem, querendo apenas o agora, sem o amanhã a acenar.”
Viver o momento, sem o lastro do passado e sem a insegurança do futuro.
Muito bom! Esta frase e todo o texto. Força Buda! PaiBuda, peço desculpa!
Fevereiro 11th, 2010 at 2:43 pm
Só uma outra nota que me esqueci: excelente escolha de música. E excelente filme, claro.
Fevereiro 12th, 2010 at 6:56 pm
tiago, adorei…. muito.
Março 4th, 2010 at 12:43 am
Um texto mesmo daqueles que eu gosto… INSPIRADOR!!!