EU, O AMOR POR TI E O VALDINEI

Março 8th, 2010

Olá! Débora Paula estou muito triste contigo. Aliás, estou zangado, apesar de te amar loucamente! Não entendo porque insististe em falar com o Senhor Juiz e dizer-lhe que te perseguia e te dava umas tareias emocionais. Eu nunca te bati, foste velhaca e eu nem sei o que isso é, emocionais, come-se? Não me digas que foi por te ter dito que te matava se não ficasses comigo? Era o amor a falar Débora! Por tua causa estou preso dentro desta cela, por tua causa vejo literalmente o sol aos quadradinhos. Mas eu sempre te disse que nada nem ninguém conseguirá enclausurar ou prender o nosso amor. Débora Paula, a minha madrasta trouxe-me 10 canetas, e enquanto houver tinta vou-te escrever todos os dias. Eu sei, eu sei que andas na vida a vender o corpo para ver se compras aquela cave em Queluz, mas enquanto não te mudas vais receber todos os dias uma carta minha provando-te que fomos feitos um para o outro. Sabes, estou aqui há duas semanas e já um chavalo me mostrou o que é a amizade pura e dura. Sobretudo dura!

O Valdinei é um brazuca de 1,90, pesa mais de 100 quilos, mas muito sensível, coitado. Acreditas que nas três primeiras noites que aqui passei ele chorou sempre?  Ao quarto dia tive de lhe perguntar porquê a choradeira e ele muito envergonhado lá me disse que tem medo do escuro. Fiquei espantado, um homem daquele tamanho. Para veres como mudei, ele pediu-me se podia dormir comigo para sentir menos medo e eu, a pensar nas tuas palavras quando disseste que sou um buçal, disse-lhe que sim. Temos dormido em “conchinha”, como sempre quis fazer contigo! Estou a treinar amor, espera por mim. Ele já não chora e eu, apesar da dor no fundo das costas, também durmo bem. No primeiro dia assustei-me, senti uma coisa enorme dura, mas ele explicou-me que é a pistola, tem de andar sempre com ela para se proteger. Sabes, há aqui uns gajos muito maus para ele. Gozam por causa do rapaz colocar baton rosa, mas aquilo é para proteger os lábios do frio. Esses sim, são uns buçais. Percebes agora porquê do doi-doi nas costas, percebes meu leitãozinho de Chelas?

Aqui na prisão a malta é fixe, jogamos à bola, é quase tudo do Benfica. Está aqui um gajo que quando o Benfica perdeu com os lagartos deu um enxerto de porrada na mulher que a deixou com uma cicatriz de 30 centímetros na barriga. Não é que a parvalhona disse que o Miguel Veloso é giro! Devia ter-lhe partido os dentes todos, onde já se viu, a porca! Também tenho feito muitos pesos, se bem que ontem exagerei e a barra com 50 quilos de cada lado caiu-me em cima da cabeça. Levei três pontos. Já sabes que os meus 57 quilos não me permitem grandes aventuras, mas quero ficar forte para te pegar ao colo no dia da nossa noite de núpcias. Ainda pesas 87 quilos amor? Gosto tanto de ti assim, rechonchuda, com pregas para eu agarrar. Não posso pensar em ti dessa forma, senão ainda vejo o Valdinei com o baton e penso que és tu. Fica descansada meu pipiuzinho, ele tem menos pelinhos que tu, nunca confundiria as vossas pernas e sovacos! Tens-te alimentado bem? Comido muita molhanga e aquelas sandes de coiratos que tanto gostas?

Tenho de ir, é hora dos exercícios lá fora e hoje contaram-me que vai haver uma rixa. O gang da Cova da Moura quer dar uma tareia ao pessoal de Barcarena porque pelos vistos o irmão de um dos que está cá dentro comeu a cunhada e a irmã de um dos outros. Já apostei dois euros em como os blacks espetam uma facada no abdómen do mitra. Diz-me amor, continuas a ir á missa falar com aquele padre giro? Tenho ciúmes, vê lá, não gosto nada de saber que te ajoelhas aos pés dele para rezares. O Senhor está no céu, não no confessionário desse gajo que nem usa calças por baixo da batina. Tenho saudades minha flor do campo, de te ver na praia com as tuas amigas a fazer bombas e a fazer soar o alarme de maremoto! Amo-te mesmo meu pão-de-leite com margarina, vai falar com o Senhor Juiz, diz que tudo foi um erro, que queres ser minha para sempre, que queres ter pequenos Zé Nandinhos e adormecer nos meus braços. O Valdinei manda beijos e pede se lhe podes enviar uma camisa de dormir porque diz que sou muito quente. Do teu hoje e sempre Zé Nando, Lóve yu!

Beijos

Paibuda

Roupa Nova – Eu te amo e vou gritar

EMENTA DE AMOR

Março 2nd, 2010

Olá! “Amor é fogo que arde sem se ver”, estou a ser original! A tristeza é água que molha sem se sentir e a rejeição é fome que passa com empadão de atum. A alegria é cerveja gelada num dia de verão, a paranóia são rebuçados de mentol em jejum e a traição é sopa de agriões quase azeda. E tudo arde, tudo arde sem se ver. Até o telhado do meu coração que neste momento está em chamas. Sim eu prometo que passo tudo o que tenho para teu nome amanhã, prometo que em perfeitas condições para venderes de seguida, mas antes disso podes chamar-me “bolinho de chocolate docinho”? Um abraço é chá branco, um banho bem quente é um gelado Magnum, o teu beijo é peixe cozinhado em azeite, alho e com coentros à mistura! Que sabor tão bom e o alho tem propriedades medicinais boas para o coração, dizem as minhas avós.

Já chamaram os bombeiros? O fogo alastrou-se pelas paredes de madeira do meu coração e está prestes a chegar ao quarto onde tu e eu passámos os momentos mais incríveis da nossa romântica história de amor, na minha imaginação, claro! A estupidez é cozer batatas juntamente com brócolos ou grelos, a inteligência é deslizar no teu corpo sedoso e o amor incondicional resume-se a bifes com molho de leite e muitas batatas fritas cortadas na hora e bem finas. O fogo, esse vil assaltante do meu coração queimou o nosso quarto e dirige-se para o sofá onde adormeces todas as noites e onde posso observar a tua beleza tão simples e sublime! Sublime, essa palavra que descobri há uns anos num livro bem lamechas que me fez acreditar em abóboras que se transformam em BMW, é tudo o que representas!

Batem-me à porta, querem apagar o fogo. Apagar é salmão fumado com tostas antes do jantar, acender é comida picante que me leva a ter fortes dores de barriga e gases. O fogo, esse vil comedor da minha pele, continua a arder sem que o consigam apagar, porque o sacana do bombeiro tem uns óculos com lentes de garrafão. Dirige-se para a cozinha queimando todas as baratas com asas do meu esturricado coração. Saudade é pão com manteiga, passado é vodka com morangos e o presente não passa de canja de galinha insípida. Insípida é a minha vida sem o teu toque, salgada é o sabor da tua pele quando me desejas como nunca desejaste ninguém. Desejo é vinho tinto, vómito é muito vinho tinto, “cardozo” é muito vinho tinto antes de fumares um charro na Jamaica! Muito, muito, mesmo muito é a vontade de te dar beijinhos e te chamar “minha pescada Tipo 4 com molho de limão e orégãos mais saborosa”!

Apagaram o fogo, conseguiram! A devastação é sopa de cenoura feita por mim, a esperança é Licor Beirão com muito gelo, a razão é salada de tomate com queijo mozzarella e a solidão é gelado de Tiramisu comido sozinho numa noite quente de Fevereiro, mas não deste ano porque está um frio daqueles. Relembrar é ver-te abraçada a mim com esse cheiro delicioso que só tu tens, esquecer é leite com bolachas de água e sal, lutar é sushi em vez de hamburgers! Mudar é o condimento que falta para te conquistar, desistir é pudim mandarim sem caramelo, chorar é ouvir-te às 6 da manhã a dizer que me queres ver nu a correr pelas ruas da Graça. Não resta nada no meu coração, só o sempre e esse sempre é adormecer ao teu lado e ouvir-te dizer “dorme bem bolinho, mas tira essas meias que já têm duas semanas”! Eu tiro, por amor. 

Até Já

PaiBuda

Bryan Adams – Summer Of 69

POR AMOR BATI COM O CARRO

Fevereiro 25th, 2010

Olá! Hoje gostava tanto de te encontrar, precisava ver-te, mas não te vou dizer nada, vais-me dizer não, já sei. Passei pela praia e escrevo o teu nome na areia, faço um coração gigante à sua volta e rebolo imaginado que é o teu corpo. Levanto-me quando sinto que fui de encontro a um casal que fazia o amor de forma desgrenhada. Bolas, acho que toquei num testículo do senhor. Refaço-me da experiência quase gay, olho a lua que ilumina o meu rosto e imagino-te a dar-me carinhos, quem sabe dentro de um carro, com os vidros embaçados e o teu perfume a fazer-me comichão na língua depois de ter beijado o teu pescoço. Será pecado imaginar-te nua com esses enormes, mas bonitos seios. Bem a senhora que estava ali atrás também era bem boa, mas eu não sou galifão e prefiro imaginar-te a ti porque tu não tens pelinhos e ela não sei. Volto para o carro, a areia está a fazer-me comichão no meio dos dedos. De repente imagino os teus pés, lindos, com esse calo no teu dedo grande!

Ajeito o meu cabelo no retrovisor e buzino duas vezes a uma menina que passa por mim a correr, com aquelas calças apertadas que tu nunca usas para não se ver a celulite. Amo esses buraquinhos nas tuas coxas, roliças, onde gostava de roçar o meu bigode se o deixasse crescer. Já sabes, não tenho pêlos, mas posso sempre usar uma piaçaba. Fecho os olhos por momentos, imagino-te no banco de trás do meu carro a mudar de roupa como um dia fizeste. Lembras-te? Ias sair com aquele loiro de olhos azuis e pediste-me boleia. Sim, sabias que eu já te amava e senti que ali mostraste que também gostavas de mim, confiaste em mim para te transportar para o teu encontro. Nunca esquecerei aquele momento em que vi o teu sutiã pela primeira vez, nem do cheiro que ficou no carro quando deste um PUM porque levantaste demais a perna contra a barriga quando estavas a vestir as cuecas da tua avó que disfarçam a barriga. Desculpa meu amor, o meu carro é pequeno, não é um Audi como o outro tinha.  

Há 30 segundos fechei os olhos, imaginei isto tudo e acabei de bater com o meu carro. Espetei-me na traseira de uma senhora que neste momento está a gritar comigo. Mais uma vez surges no meu pensamento, adoro quando gritas comigo e me dizes para te deixar em paz. Grita mais meu amor, grita quando te ligar daqui a 10 minutos e te acordar. Mas eu amo-te e o meu amor nunca vai desaparecer, aumenta de frequência sempre que me chamas nomes. Só não gosto que me chames pila mole, não gosto da palavra pila, é feia. Já te disse que uma menina que vai à missa e fica quatro horas no confessionário com aquele padre novo, não deve dizer pila. Podes dizer pénis mole, sardanisca flácida, bolha infectada, agora pila não, sim meu amor? Deixa-me só ir assinar os papeis da declaração amigável porque quero muito ir para casa, olhar para a tua foto e imaginar-te de fio dental. Suspiro, já me enganei na declaração, assinei pila mole, vês, dou muita atenção ao que me dizes.

Não resisti e estou a passar à tua porta. Perdi-me como sempre, não percebo nada das ruas de Chelas, mas aqui estou. São duas da manhã, mas não resisto, vou buzinar para chamar a tua atenção. Pára com isso amor, não mandes facas cá para baixo porque ainda me varas um olho e assim nunca mais te vejo bem. Olha antes para a lua, que nos ilumina, vês, repara no E.T. a acenar para nós, a abençoar o nosso amor. Porque vais chamar a polícia? Débora Paula pára com isso, já fui preso 10 vezes por tua causa, não tentes enclausurar o meu amor por ti, ninguém o pode prender. Sou todo teu amor da minha vida, mas vou-me embora antes que os bófias cheguem e descubram a pistola que trago comigo. Entrego-te o meu coração, ofereço-te as estrelas e despeço-me com um carinho especial que demonstra todo o amor que sinto por ti: Déborazinha queres ir comigo amanhã à loja do Chinês ali da esquina, queres? Desejo tanto oferecer-te aquelas cuecas encarnadas para a nossa primeira noite de amor. Quem é um amor, quem é? É o aqui o teu Zé Nando! Amo-te!

Até Já

PaiBuda

Cleiton e camargo – Amor no carro

A CULPA É DOS HOMENS

Fevereiro 21st, 2010

Olá! Primeira tertúlia masculina do ano, primeira desde que o “novo” PaiBuda está no ar. Todos juntos revivemos momentos passados, aventuras antigas, novas, talvez futuras. Juntos, repito, rimos, cantámos, rimos ainda mais, falámos de tudo um pouco. O estado da nação, as escutas, carros, da nova vizinha do Luigi que pelas primeiras impressões gosta muito de tautau, do meu vizinho de cima que é um autêntico cavalo, com a agravante que bate em mulheres. Deve ter uma pila pequena, presumimos nós. Ao contrário do habitual pouco se falou de glúteos firmes e enormes seios, tema cada vez menos recorrente porque já todos chegámos à conclusão que os homens são ao grandes culpados pelo facto das relações amorosas não correrem bem. Como tal, reduzimo-nos há nossa pequena insignificância de seres pouco evoluídos e sem qualquer capacidade emocional.

Com esta conclusão tão dura para a espécie masculina, mas ao mesmo tempo tão verdadeira, resta-nos fazer aqui, neste texto, a nossa mea culpa, deixando bem claro que estas palavras transportam em sim uma purificação da alma e do coração. Este texto representa a nossa vontade de evoluir para um patamar mais próximo das mulheres que, com a sua delicadeza e emoção sublime, nos mostram diariamente que são o exemplo vivo de quem consegue ter uma atitude positiva e inteligente quando toca a relações. Estamos, quase todos, solteiros, o quase caminha para tal estado. Estamos, todos, imbuídos do espírito amoroso e precisamos que alguém nos ajude a crescer emocionalmente. Sim, a culpa é toda a nossa, perdoem-nos as mulheres capazes, as inteligentes, as que pensam com o coração, as que não gostam de sexo ou não vêem esse acto como o combustível condutor de uma relação amorosa. Perdoem-nos de joelhos!

Os homens são os culpados:

- das mulheres nunca estarem satisfeitas por mais que façamos tudo para se sentirem felizes;

- de as elogiamos só com o intuito de as levar para a cama, nunca por gostarmos de verdade;

- de não fazemos o amor todos os dias por já termos outra, ou de fazemos porque só pensamos em sexo;

- de gostarmos de ver futebol, mas também culpados de gostarmos de ver uma novela;

- de todos os traumas, mas todos os traumas das vossas relações anteriores;

- de não querermos falar do passado, mas se falamos devíamos era estar calados;

- de sermos românticos e isso já não se usar;

As nossas desculpas

Até já

PaiBuda e amigos

Nirvana – Lithium

RESPONDE, ACERTA E GANHAS UM PRÉMIO

Fevereiro 15th, 2010

Olá! Hoje lanço-vos um desafio. Quero ver se sabem alguma coisa sobre mim, PaiBuda, figura já incontornável da escrita contemporânea, seguramente. Incontornável simplesmente porque é uma palavra bonita e serve para fingir que sei escrever, fingir, repito. Deixo-vos um pequeno inquérito, ou melhor, estudo de mercado denominado – “conheces realmente um homem gostoso?” – que poderá ajudar a ultrapassar estes momentos de crise existencial que vivemos. E como este site tem agora a opção super criativa de poderem comentar todos os textos que aqui escrevo (opção que nunca ninguém se tinha lembrado) podem responder directamente aqui, agora, amanhã, nunca, como queiram, sou um fácil! Prometo que quem conseguir mais de 90% de respostas certas ganhará um prémio, desde que não me peçam para correr nu pelas ruas da Graça porque já parti 10 candeeiros e tive de pagar 11 349, 61€.

Deixo uma nota adicional que vos poderá ajudar nesta odisseia que se prevê realmente difícil. Se não souberem as respostas não inventem, as minhas avós lêem este site, os meus pais também, ainda me fazem perder a herança prometida, um baú com todas a fraldas de pano que usei quando era criança. Lavadas, claro! Pior, prometeram-me que se até ao final do ano eu me casar os meus pais também entram na contribuição, logo receberei 229 mil euros, acrescidos de mais 500 mil euros se fizer o amor pela primeira vez. Resumindo, não sabem, respondam na mesma, esqueçam as linhas anteriores, era para encher “chouriços”. O que nós queremos é rir às gargalhadas, lembrarmo-nos que a vida é para ser vivida de forma feliz e dar puns, vá, todos, todos a dar puns! Aqui vai, respirem fundo (para responder às questões, claro):

1 – A minha alcunha é?

2 – Sabes o tamanho do meu coração?

3 – Nasci de parto normal ou cesariana?

4 – Os meus beijos na boca sabem a alho?

5 –  Dou Puns debaixo dos lençóis?

6 – O que gostaria de fazer contigo?

7 – Isto não tem piada nenhuma pois não?

8 – Pensas muito em mim?

9 – Tenho algum talento especial?

10 – Queres responder a alguma questão finalmente inteligente que não esteja aqui?

Até já

PaiBuda

17. Eminem – Beautifull

A ARTE DE NÓS

Fevereiro 11th, 2010

Olá! Estendi-te a mão porque senti. Agarrei-a sem medo porque pensei perceber. Ali me mantive, junto de ti, até descobrir que não basta sentir ou pensar perceber. Se arte é amor, se o amor é arte de saber gostar, o gostar só pode ser amor que se transforma em arte quando sabemos verdadeiramente amar. Não sei, ainda não aprendi, preciso de me ensinar. Larguei-te a mão porque perdi. Afastei-a porque pensei desistir. Sento-me agora, neste banco de jardim, em sossego e longe de aflições. Fiz bem ou fiz mal, na dúvida nada fiz, segui o meu coração sem nada mais para tentar. Pinto a minha alma de um branco sereno, preciso respirar o que nunca respirei. Junto de ninguém, abraçado a mim, sentindo o meu calor sem precisar de um outro alguém. Mas estou só, neste banco de jardim, com vontade de sorrir porque o só não assusta, assusta o só ao lado de ti.

Segui os meus passos perdidos, perdi-me no saber de outras mentes e aqui estou. Feliz por tudo, infeliz por nada, alegre quando a vida beija a felicidade, com língua. Travei a emoção quando quis ir mais além, sussurrei ao ouvido da alma para a acalmar, sou eu, vem cá! Não me dês a mão, já não preciso dela. Não me dês a tua boca, preciso dela demais. Fica aí, não sigas a minha vontade, não serás feliz porque não sou quem precisas. Eu preciso de mim e de quem me queira ensinar. Se o amanhã chegar brilhante serei eu capaz de nunca o ofuscar, disseram-me há pouco tempo. Dizem-me tanta coisa, tantas outras digo eu, simplesmente porque exprimir é a forma mais fácil de nada fazer. Vem cá, senta-te ao meu colo e deixa-me embalar-te. Adormece no meu ombro, fá-lo teu. Carrego-te para o aconchego que tanto veneras, despeço-me com um acenar paralisado.   

Diz-me agora o que sentes, escreve-me uma carta de amor, mesmo que em branco, desde que o faças com arte. Não existem palavras em mim, afundaram-se na certeza de um amanhã solarengo. Não vou, prefiro estar aqui passeando por entre um amor que não me conhece. Adeus, digo-o baixinho. Um dia voltarei mais forte e capaz. Hoje não o sou, incapaz de dizer e sentir, de vibrar e acordar para um sonho que tantas vezes esteve ao meu lado para me tornar mais vivo. Deixei tanta coisa para trás, mas o “frente” vem a caminho para pular loucamente junto de mim. Abraças-me agora antes de adormecer? Hoje só tenho esse desejo incontido, sem receios do depois, do ontem, querendo apenas o agora, sem o amanhã a acenar. Vem cá, aproxima-te e ensina-me que posso ser eu no teu, que podes ser minha no meu coração. Fecho os olhos e sinto que me dás a mão, neste momento, num só, tu e eu!

Até já

PaiBuda

Damien Rice – The Blowers Daughter

MOMENTOS DO UNIVERSO PAIBUDIANO (PARTE I)

Fevereiro 5th, 2010

Olá! Há quem defenda que a vida é um puzzle de momentos. Peça após peça, criamos um quadro de vibrações inesquecíveis, de gargalhadas sonoras, de lágrimas de tanto rir. Corro o risco com este texto de não conseguir passar a comicidade de algumas frases que vos vou deixar, mas a recordação daqueles momentos tem de ser partilhada. Existirão muitos mais, hoje só me lembro destes. E choro, a escrever isto choro de tanto rir porque parece que os estou a vivenciar a todos de novo. Não digam a ninguém, mas pareço um maluquinho a rir-me para o monitor. E para que saibam, acabei de ter um momento sublime enquanto escrevo estas palavras, por causa do Nélson Évora.

Momentos

“Não é na Vila do Tramagal que existe uma grande prisão?”

1ª Noticia feita pelo PaiBuda no jornal A BOLA , Lisboa 1998

“Abre só uma fresca da janela”

Mano Miguel, Croácia 2009 

“Papava-te essa peida toda”

Vizinho marialva da Graça para a Sofia Aparício, Lisboa 2008

“Nélson Évora detronou o Cristiano Ronaldo”

Colega de trabalho, Lisboa 2010

Isso não é para estragar

1ª vez que coloquei a mão num seio de uma menina, Lisboa 1992

Tinha acabado de nascer, deixaste-me cair no chão do hospital e desde ai que sou maluco”

Mano Miguel sobre a 1ª recordação (inventada) que tem do PaiBuda, Facebook 2010

“Isso não se come?”

Amiga sobre a temática dos pirilaus, Lisboa 2000

“Não te zangues boneca”

Mano Manel, com 6 anos, para a nossa mãe, Lisboa 2008

“Sou alérgico ao hemorroidal”

Amigo a explicar o porquê de não comer picante, Lisboa 2002

“Já tenho feridas nos joelhos”

Vizinha aos berros, enquanto fazia o amor com o namorado no chão da sala, Lisboa 2003

“A luz está fudida”

Mano Manel, com 3 anos, a explicar a um vizinho que a luz estava fundida, Lisboa 2005

“Arrrhhh não te rias, estou a ficar com asma e não tenho a bomba”

Mano Miguel, Croácia 2009

Até já

PaiBuda

14 À Minha Maneira