ADORO A TMN

Setembro 2nd, 2010

Exmos. Senhores
 
Venho por este meio apresentar mais uma reclamação em relação ao serviço prestado pela TMN. Há um ano atrás comprei um telemóvel na campanha troca de pontos. Foi-me informado por uma colaboradora vossa que a fidelização era de um ano, tendo assinado o contrato confiando na informação dada. Para meu espanto a fidelização, afinal, é de 18 meses. Aí, assumo, a culpa é minha por não ter lido as letras minúsculas no verso do contrato e ter confiado no profissionalismo dos vossos profissionais. Passados dois dias tentei trocar o dispositivo móvel por estar completamente insatisfeito com o produto, mas por um de valor superior. A responsável da loja inventou, literalmente, um risco que só ela via. Fiz várias reclamações, mas nenhuma aceite por parte da empresa. Engraçado, que sempre me foi dito que sou um excelente cliente, que uso o serviço há 10 anos, mas que não podiam satisfazer a minha pretensão. Aproveito, no entanto, para agradecer a massagem que me ofereceram num SPA aquando das minhas reclamações. Deixam os clientes à beira de um ataque de nervos, mas oferecem massagens, está bem pensado.
 
Passado um ano decido pedir a portabilidade do meu número para a Vodafone, seguro que tinha acabado definitivamente o meu calvário de maus serviços. Fi-lo e na véspera do processo estar concluído, domingo dia 22 de Agosto pelas 20 horas, fui contacto pelos serviços da TMN que, muito amavelmente pretendiam saber porque razão estava eu a mudar de operadora. Expliquei as ditas razões, tentaram demover-me com imensos benefícios que nunca tinha ouvido falar, mas como a minha posição era irredutível, e quando estava prestes a desligar, informam: “Sendo assim vai ter de pagar 120 euros por incumprimento de contrato”. Repito, às 20 horas de Domingo, sendo que Segunda-feira de manhã o serviço mudaria. A solução apresentada então, porque me recuso determinantemente a dar mais um cêntimo à TMN, era no dia seguinte reverter o processo. Fi-lo, na Loja da TMN no Centro Cultural de Belém e até à data a portabilidade ainda não foi efectuada porque, segundo indicação da linha de Apoio ao Cliente, a dita loja ainda não enviou o processo. Passou uma semana e três dias e continuo a ser cliente Vodafone e estou tão contente. Sabem, quando se está mesmo contente? Aposto que dentro de dias vou receber em casa uma carta da TMN para pagar os tais 120 euros, certo?
 
Digam-me, o que faço agora? Sim, vão-me dizer que sou um óptimo cliente, que já tenho o serviço há 10 anos, mas… que tenho de aguardar! Como é possível uma empresa que se diz a maior em Portugal ao nível da telecomunicações tratar os clientes desta forma? É por sermos isso mesmo, normais clientes? Como é possível recusarem a troca de um telemóvel por outro de valor superior? Como é possível ligarem para os seus clientes de número privado? Hilariante essa do número privado, qual criminoso que não quer ser detectado!! Como conseguem dormir em paz informando os clientes, na véspera de uma mudança de serviço, que terão de pagar 120 euros! Esta do dormir em paz é só um floreado piroso para dizer que é uma vergonha, mas ao mesmo tempo engraçado perceber que a incompetência é um direito que assiste a todas as pessoas
 
Podia sempre pagar os 120 € em questão, não morreria por isso. Podia sempre deixar de ser cliente porque já gastei mais de 150 € em carregamentos no último ano, mesmo ficando sem o “meu número de sempre”. Podia isso tudo, mais isSO seria um MIMO que não vos vou dar, recuso-me a ser mais uma vez enganado e espoliado por V. Exas. E no dia em que acabar a fidelização vou a correr para a Vodafone, mudo de operadora e dou uma festa com um grande cartaz: A TMN é pior que um mau casamento! E já agora, agradeço do fundo do coração uma grande ajuda que me deram quando estive de férias na Croácia. Exceptuando o facto de me descontavam 2,30€ por cada vez que tentava ver o saldo do meu cartão, obrigado por me ajudarem a engatar croatas, italianas e espanholas: “You are TMN?” Resposta: “No, why?” Pronto, está feito:”Because you have a ass que é um MIMO“! 

Aguardo a vossa resposta ansioso por ler tudo o que me vão dizer, com certeza, de forma fofa e amigável!
 
Até já

PaiBuda

Quanto Mais Eu Grito

CONSEGUISTE

Agosto 20th, 2010

Olá! Quando um dia olhares o espelho e finalmente conseguires perceber o que não gostas na tua alma, pensa que esse é o reflexo que todos os outros observam quando olham para ti, antes de partirem sem nada dizer. Mas quando chegar o dia de virares costas ao espelho e sentires que podes, agora, dar um passo em frente, acredita que ao teu lado outros passos surgirão querendo acompanhar o bater do teu coração pela vida que se quer feliz e inteira. Assim, nesse momento poderás entrelaçar os teus dedos em dedos de amor e sorrir de cabeça erguida. Não precisas mais de lutar contra o que sentes, conseguiste!

Nota: O PaiBuda volta em força em Setembro após umas merecidas férias… budianas!

Até já

PaiBuda

IMAGINO

Julho 29th, 2010

Olá! Amanhã estou de partida para longe. Parto com muita vontade de me divertir, de ver novas realidades, mas com a mesma vontade de regressar para junto das pessoas que mais gosto. Gosto tanto, nem imaginam! Hoje imagino como seria um mundo feliz, sem dor, em harmonia. A diferença não existe, existe o medo de um pensar que não é igual, a arrogância de verdades individuais e o orgulho exacerbado. Imagino e continuarei a fazê-lo, acreditando que todos nós nascemos para tocar a vida de alguém. Este é o meu até já, resumido, mas com todo o amor da minha alma.

nota: os comentários só serão aprovados aquando do meus regresso. Estejam à vontade, no entanto :)

Até Já

PaiBuda

SABES QUAL É O MEU MAIOR SONHO?

Julho 18th, 2010

Olá! Há muito que nada sinto, apenas vontades que se esfumam com os dias que passam diante de mim. Há muito que o meu coração não beija outro coração, que não entrelaço dedos, que não cheiro um cabelo suave. Há muito que me obrigo a não querer, querendo no entanto sentir. Receio o desengano do meu sentir tantas vezes distraído na sua forma de gostar. Acredito na vontade sincera de um dia conhecer o sorriso que nunca deixará o meu rosto, sempre que olhar sem medo de ver. Faço-me forte na fragilidade do ganhar a batalha mais difícil que se resume a dois corações que se encontram. Pergunto se passo pela vida para gostar, ou simplesmente para ser gostado. Pergunto se abraço o céu ou se o céu se mantém impávido a cada passo meu. Há muito tempo que nada sinto…

Não quero devaneios ilusórios, quero tanto um caminho feliz. Não desejo corpos bonitos, desejo antes almas cintilantes. Deixo de ser quem sou quando olho a desilusão nos lábios de quem fala de amor sem saber o que isso significa. Desço um degrau sempre que me deparo com almas que se debatem em anseios limitados de desejo que as corroem sem piedade. Mas sorrio de novo a cada nascer de um novo dia, porque a vida já nos ensinou que é bonita demais para que possamos desistir. Vem ter comigo, vem, faz-me sentir algo, belisca a minha pele e pergunta ao meu coração qual é o meu maior sonho. Não sabes? Pensa um pouco. A luz da vaidade que nos encandeia, esconde a verdadeira razão de existirmos. O escuro do medo que nos persegue, vai-se iluminar quando descobrirmos o que nos faz acordar todas as manhãs. Há muito que nada sinto…

Subo ao cimo de mim e olho em redor. Vejo-te a ti, a ti, a ti também. Vejo multidões que se cruzam, mas não se olham. Vejo-me a mim procurando descobrir, sufocando por não existir entre tantos corpos perdidos. Eu ainda resisto, tento, seguro-me ao básico na esperança de poder ser mais do que isso. De certeza que não sabes qual é o meu maior sonho? Olha bem para mim, ou fecha os olhos e sente-me apenas. Precisamos mudar o mundo, precisamos ser fiéis aos nossos valores sem que eles nos tolhem a vida. Podemos ser tudo, podemos ser únicos e não apenas mais um que ali está, com um olhar vazio de nada. Quero parar, mas tenho vontade de caminhar. Quero sentir, mas não sei como, com quem, de que forma poderei fugir da indiferença. Não vou mais ajudar ou ser a salvação de quem precisa de conforto. Sabes, há muito tempo que nada sinto…

Nem sempre dou o melhor, hoje eu sei, mas recuso deitar-me sobre solidão, mesmo que nada saiba sentir. Nunca te penses só porque mesmo que te saia mal, faz de novo, tenta, revolta-te. 20 minutos para juntar estas palavras que serão esquecidas em breve, porque todos pensamos ter razão! Só o tempo é eterno, só a nossa alma saberá mudar este jogo com a sua coragem. Se nos faz mal, desistimos. Se nos faz bem, insistimos. Se nada nos faz… mudamos! E será que sabes qual é o meu sonho? Já senti tempestades em olhos colados aos meus, mas continuo à tua espera. Com ou sem ti, à espera. Chegaremos ao ponto alto da felicidade de mãos bem entrelaçadas, de corações fortes, de sorrisos iluminados. Não posso fugir, não posso mesmo, ficarei de mãos atadas, com o corpo gelado, sem nada para ganhar, pior, sem nada para perder. E há tanto tempo que nada sinto…

Até já

PaiBuda

Radiohead – Fake Plastic Trees

“PORRA” DE ABUTRES QUE COMEM “ARBUSTROS”

Julho 16th, 2010

Olá! Este texto é um tributo a momentos puros de diversão e felicidade. A vida por vezes, ou melhor, muitas e muitas vezes dá-nos isso, a sua verdadeira essência! Aromática quanto baste, “é para relaxar, percebes?” Percebo que passei 10 noites com mais de 30 graus às duas da manhã, percebo hoje porque existem tantas pessoas a gostar de “bombitas” e sobretudo que um “porra” pode transportar em si a genialidade de um momento que se desejava apenas dançarino. Percebo que as energias mais novas, apesar de todos os seus antagonismos, abraçam sorrisos inesquecíveis olhando o céu à procura de estrelas cadentes ou desejando apenas cair em “arbustros” com o homem que se gosta, ou pensa gostar! São 17 horas e atravesso a ponte sobre o Tejo e nada me faz adivinhar que diante de mim estarão 15 dias de perfeição. E quando chego tenho logo o primeiro sinal quando vejo alguém de caracóis loiros e um sorriso de fazer tremer as pernas!

Todos dançamos, dizem que tenho 25/26 anos, refuto tal vil afirmação, são 33 com um “porra” à mistura e um esgar de medo! Falo alemão, o pouco que sei, recordo os caracóis loiros que já ali não estão e assusto-me ao ver 200 quilos abraçados qual par romântico. A água está a 25 graus, o meu corpo a 40, acho que vou dormir um pouco à sombra. Acordo com a toalha babada, pelos vistos até falei: “se não tivesses 20 anos fazia-te um jantar lá em casa com muito vinho tinto e beijava-te toda, dos pés á cabeça”. A realidade é dura, literalmente, mas pior mesmo é vomitar e fazer cocó na praia, sem tempo de chegar ao WC! Bem, se pensarmos bem pior é nunca esquecer que “arrotei bem cá de dentro e borrei-me toda porque estava a vomitar”! Ali mesmo, na ponte, que nos transporta do restaurante para a praia, tu minha guineense, soltas-te tudo o que havia em ti.

Caminhemos, hoje vamos ver estrelas cadentes, perceber porque o Bin Laden é fanático por bombas e rir, rir muito! Aprendi que os abutres, palavra que deriva, segundo me informaram, de “arbustros”, comem pessoas mortas no deserto. E porcos e vacas também, ou seja, são basicamente como os homens que andam ao ataque em discotecas algarvias! Vistas bem as coisas também existem as “abutras”, mas isso não vem ao caso. “É para relaxar, percebes?” Mais uma vez reafirmo que sim, percebo, mas já estou quase com os maxilares presos de tanto rir, não quero perceber mais nada. Os caracóis voltaram a surgir perante os meus olhos, ali bem perto, perto demais, mas mesmo relaxando considero ser mais prudente pensar em mulheres gordas com pelinhos nas axilas para não cair em tentações. Hoje sei bem o que quero, não me quero levantar da toalha sempre que me chamam. Aliás, aprendi com uma pequena alma de 4 anos algo para o resto da vida: “óh que grande p..ta!”.

Regresso feliz, quase preto, sendo que mesmo no inverno, nu, as comparações já eram semelhantes! Volto com um jantar prometido às minhas jovens amigas almas, mas só se convidar o meu irmão. Retorno com a certeza que milagres acontecerão, que mais noites de estrelas cadentes me farão sorrir e que quando voltar a partir, dia 30, terei saboreado lagosta, ficando os caracóis ao cuidado de outra boca! Hoje somos muitos, hoje somos muito mais amigos do que éramos no ano passado, qual família siciliana que se protege. Hoje, tu que danças tão bem, vais-te rir como esperavas, mas tu também sorrirás, quem sabe até arrotas, mas sem fazer necessidade no corredor! Hoje tu vais contar até 10 antes de explodires, vais lutar pelo teu futuro, começar a descobrir quem és! E tu, bem, o irmão vem ao jantar como tanto me pediste, e espero que um dia percebas que a verdade e a energia das palavras é o âmago da nossa alma. Sinceramente, gostei de tudo, fomos todos perfeitos em 15 dias!

Até já

PaiBuda

Edward Maya – Stero love

PAIBUNDA E A JACIARA DE PONTA GROSSA

Junho 30th, 2010

Olá! Acabei de me inscrever em todos os sites de relacionamentos amorosos que conheço, ou seja, em 772! Inscrevi-me nos americanos, nos brasileiros, nos portugueses, suecos, italianos, iraquianos e até nos japoneses! Venha daí uma gueixa! Demorei algum tempo a preencher o meu perfil porque estava com bastantes dúvidas! Dizem que na Internet devemos sempre mostrar precisamente o contrário do que realmente somos, mas eu depois de pensar muito, de consultar as minhas avós, a minha mãe, pai, os meus irmãos, ex-namoradas que não me odeiam e os melhores amigos, cheguei à conclusão que o melhor, o melhor mesmo era abrir-me literalmente para o mundo. Aliás e sendo sincero desde já, sobretudo para as suecas grandalhonas e para as iraquianas que me defenderão sempre com as suas bazucas de mão!

Vou transcrever o que escrevi para vocês, que me conhecem tão bem, darem-me a vossa opinião. Claro que espero que sejam sinceros, justos, compreensivos porque ando cheio de dores nos rins devido ao exercício físico que ando a fazer para ficar bem gostoso! Sim, eu sou como o meu tio-bisavô que quando tinha saudades da minha tia-bisavó dizia que lhe doía os rins: “É a paixão meu filho, é a paixão”! Esperem, acabei de receber uma mensagem proveniente do Brasil que diz o seguinte: “Oi gatinho, sou a Jaciara, tenho 22 anos e adorei seu perfil. Tenho 1,57, 80 quilos e trabalho na caixa de um supermercado em Ponta Grossa, um belo sítio para se viver. Se quiser entra em contacto comigo. Gostosão você hein!” Bolas, pelos vistos estes sites de encontros resultam. Nada melhor do que acabar o dia com a Jaciara que vive na Ponta Grossa a chamar-me gostosão.

Voltando ao essencial, aqui está a descrição que fiz de mim mesmo. Acho que fui o mais verdadeiro e sincero possível: “Paibuda, português de gema, bigode bem aparado, electricista, 1,90 de altura e 100 quilos de peso. Moro num apartamento T5, numa das zonas mais excitantes dos arredores de Lisboa, a Buraca. Sou muito homem, gosto de comer e beber bem, fui ensinado pelos meus pais a nunca segurar qualquer tipo de gases provenientes de dentro do meu corpo, logo dou arrotos e puns com fartura. Sou um leão no dia-a-dia e um gatinho meigo na cama. Procuro menina séria para relacionamento e, quem sabe, sexo, mas só uma vez por mês porque o senhor Padre, depois de ter sido ameaçado por um marido cornudo, diz que mais do que isso é pecado.”!

Estive bem? O que acham? Tenho a certeza que é agora que vou desencalhar. Olha, mais uma mensagem, esta agora vem da Suécia. Vou ler-vos: “Hi darling, my name is Helen and you are very big. Everything is big in you? Can I see it? I have web cam, let’s make web sex and talk about dirty shits!” Não percebo nada do que a menina diz, mas do pouco que sei de inglês, dirty quer dizer lindo, logo, o meu perfil está perfeito. Duas, duas já me responderam e em apenas 10 minutos. Ups, mais uma, incrível e esta vem de Portugal. Respira fundo, calma, com certeza é esta a mulher da tua vida: “Olá PaiBunda, eu sou a Débora Carina, moro na Baixa da Banheira e sempre sonhei relacionar-me com um homem que viva na Buraca. Sou casada, mas isso pouco importa porque o meu marido prefere dormir com o amigo dele, o Cleidson, diz que se sente mais protegido! O que achas de marcarmos um café ali no Feijó?” Finalmente…

Até Já

PaiBuda

Bon Jovi – Living on a Prayer

O VESTIDO PRETO

Junho 22nd, 2010

Olá! Feriado. Chove no Verão, nada há para fazer e mesmo que houvesse as forças são poucas. O cheiro a sardinhas ainda se espalha pelas ruas da Graça depois de mais uma noite louca de Santo António. A ressaca devido à sangria com vinho carrascão é enorme, decadente mesmo, e transporto em mim um cartaz onde se pode ler: fora de serviço! Toca o telefone que infelizmente esqueci de desligar, oiço a voz da minha mãe do outro lado:”Filho vem almoçar com a Mãe e depois vamos às compras”. O primeiro e único impulso foi dizer não, o meu sofá chama por mim, quero arrastar-me o dia todo! Poderá, no entanto, um filho dizer não a um pedido de uma mãe? Sim poderá, mas lá acedi. Compras num feriado, milhares de pessoas nas lojas, eis o meu castigo por não ter beijado a senhora dos Frangos como ela tanto queria! Meto-me no carro e transporto-me com os olhos meio fechados!

Lanidor um dos paraísos para muitas mulheres, segundo consta, o inferno absoluto para os homens. Assumo que o inferno se transforma em algo psicótico e deprimente, quando estão a fazer saldos de 50% e estão 60 mulheres tresloucadas dentro de uma loja de 20 m2. Vejo dois homens na mesma situação que eu. Os seus olhos amargurados devido ao sofrimento quase insuportável de estarmos perante um cenário diabólico, são disfarçados por um pequeno sorriso de solidariedade, envolto na esperança que algumas das bruxas comecem ao estalo por causa do vestido preto que parece fazer um enorme sucesso. Ver um combate ao vivo, entre estalos, mordidelas e puxões de cabelo até poderia ser interessante. Tragam a lama, os biquínis e poderemos passar do inferno ao céu em poucos minutos. “Filho, chega aqui, vem dar-me a tua opinião”. Pronto, acordei para a vida!

Quando dou por mim tenho dois vestidos na mão. Um preto e outro com uma cor que desconheço, assim a dar para o branco, mas mais escuro, sei lá! Fecho os olhos por momentos e imagino a Meg Ryan a sorrir para mim, avançando na minha direcção de braços abertos e uma sensação de prazer ameniza a minha angústia. Enquanto temos de esperar meia hora para a minha mãe poder entrar no provador, decido pousa-los numa prateleira. Má decisão, deveras. Do nada surge uma bruxa e começa a observa-los. As unhas transformam-se em garras e avança ferozmente, já a salivar. Tenho de tomar uma atitude, proteger o meu território e digo: “Estes são meus”. Ela faz um rugido, olha-me com desdém e dá meia volta. Medo, tive medo e como se não bastasse ainda afirmei que os vestidos são meus! Olho para o lado e tenho a minha mãe perdida de riso. Cheguei ao fundo do poço, não há volta a dar!

Finalmente a minha querida e linda progenitora consegue experimentar os ditos. Encosto-me a uma estante onde milhares de peças amarrotadas se acumulam num cenário de devastação, guerra, horror. Olhares femininos procuram perceber o que faço ali parado. Acredito, pela forma como me olham, que pensem que à noite me transformo num travesti gostoso que vagueia pelas ruas de Lisboa, mas, se assim fosse, à espera de senhoras lesbianas, claro. E sim, ainda seguro mais dois vestidos que deverei disponibilizar quando forem solicitados. Atrás de mim sinto uma bruxa quase colada a mim. Pergunto-me o que espera, o que faz ali parada. Não, não pode ser, ela não pode estar a pensar que estou na fila à espera. Universo por favor não deixes que tal aconteça, seria a decadência pura, literalmente nunca mais seria o mesmo! Desvio-me ligeiramente e oiço a frase pela qual temi: “Não está na fila?” Incrédulo apenas disse: “Estou minha gorda, quero ver se estes me ficam bem!”

Até já

PaiBuda

Quanto Mais Eu Grito