UM ADEUS À MINHA MANEIRA
Novembro 22nd, 2011Olá! Hoje, dia 22 de Novembro de 2011, o PaiBuda despede-se! Uma despedida que não se quer triste uma vez que nunca encarei um adeus como algo doloroso. A tristeza de um adeus só existe quando se esquece e nada nem ninguém que partiu da minha vida será alguma vez esquecido. Passaram nove anos e 27 dias desde que, num pequeno apartamento na Graça, escrevi o primeiro texto num blog que surgiu de uma alcunha dos meus ex-colegas do jornal A BOLA: PaiBuda. Foram tantas as palavras, tantas as vontades, amores e mais amores, risos incontroláveis e algumas lágrimas. Lembro-me de chorar quando as minhas vizinhas lésbicas regressaram a Itália após meses de convivência sã e instrutiva. Lembro-me de rir sem parar na primeira vez que a senhora dos Frangos afirmou “se fosse mais nova papava-te”. Lembro-me dos inúmeros textos completamente idiotas que me faziam soltar gargalhadas naquela pequena casa, sozinho, mas tão acompanhado. Ali aprendi que consigo rir-me da minha própria essência, ali deixei de me dar tanta importância. Cresci literalmente como PaiBuda e agradeço por isso.
Tantas foram as pessoas que me inspiraram, momentos, olhares, recordações. Quando resolvi escrever estes últimos parágrafos prometi que não cairia em lugares comuns, qual lista de agradecimentos na entrega dos prémios do “Piropo mais Porco do Ano” na Associação de Moradores do Bairro de Santa Engrácia. É, no entanto, impossível não agradecer a quem me rodeia, a quem ficou e ficará para sempre na minha vida, a quem partiu, a quem nunca entrou. Todos me ofereceram as ferramentas para deitar cá para fora algo que mostrava o que sou, o que nunca quis ser e aquilo que serei se me deixarem. À minha Mãe e ao meu Pai aquele abraço apertado pela educação que me deram, pelo ADN e por me terem possibilitado vir ao Mundo para ser o Mundo de alguém, nem que seja o deles porque poucas pessoas me aturam! Gosto mesmo de vocês. Aos meus irmãos, lindos todos! Ao Rui “Gomes”, amigo dos tempos da Escola Secundária, que me ajudou a estar sempre on-line. E como me estou a despedir, faço-o já com um conselho simples e modesto: se um dia tiverem uma namorada e ela estiver a galar outro gajo mandem-se para baixo de um camião cisterna porque depois disso aposto vão correr os dois nus por uma praia apinhada de gente ali para os lados de Carcavelos.
A saga da Débora Paulo com o Zé Nando deu-me um tremendo gozo escrever, ri-me como tenho a certeza que ninguém o fez a lê-lo, talvez por acreditar que todos nós temos um lado deliciosamente mal-educado, brejeiro e inseguro. Os textos românticos, tantas vezes alvo de chacota por parte dos meus amigos de barba rija, acabaram sempre por ser um espelho do que um homem não deve ser perante a sociedade actual, mas como eu não gosto dessa tal sociedade que não toma banho devido à crise, escrevi-os sem uma ponta de vergonha e pensando bem ganhei umas fãs para a vida, ou melhor, para uns meses porque passado um tempo tinha de explicar que tenho um enorme Coração, sim, é verdade, mas que só dá para uma pessoa de cada vez. Está certo, ainda não dei uma gargalhada com este texto, apesar estar a tentar escrever uma piada daquelas espectaculares. Não estou triste com este adeus, acreditem, mas tenho uma dor forte nos rins, saudades, é isso, são já saudades. Era esta a piada que faltava, correu muito bem.
Hoje no metro a caminho de casa, entrou um senhor que com a sua viola dedilhava o My Way do Frank Sinatra. Ouvi, cantei baixinho, apanhei-me a sorrir e pensei que tudo se resume a isso: fiz à minha maneira! Fiz com medo algumas vezes, com muita coragem outras, mas fiz e farei sempre, nunca de forma intolerante ou prepotente, apenas e só genuína! A capacidade que cada um tem de se entregar a um simples momento da vida, revela, sem dúvida, o nível de sentimento que existe no seu coração. E quando todos percebermos que a honestidade é o caminho perfeito para saber sentir, a vida será sempre boa, quer haja ou não amor junto de nós. As gerações futuras depositam em nós a esperança que as barreiras que ainda não foram derrubadas possam sê-lo definitivamente e que a liberdade física e emocional nunca mais tolhe o comportamento de jovens e adultos que procuram ser felizes. E ser feliz não custa muito, custa ter coragem para tal. Um grande abraço com amizade e gratidão.
Até Sempre
PaiBuda
